27
Ago
08

Editorial Rádio E – A Revolução das Mídias e os DJs de Laptops

A revolução das mídias e os djs de laptop

por Rodrigo Sarka

É inegável que o mundo da musica passou por mais transformações nos ultimos 10 anos do que pelo menos nas 5 decadas anteriores. Num passado não muito distante, caso voce quisesse aquele som que não toca nas radios e não tivesse grana pra comprar aquele vinyl gringo (entenda-se por isso, pagar a passagem e ir la buscá-lo, porque as lojas virtuais ainda nem sonhavam em existir), tinha que encomendá-lo em alguma loja da galeria e com muita sorte recebê-lo alguns meses depois pagando uma fortuna, ou então fazer a cópia da cópia da fita cassete que aquele seu amigo descolado gravou da prima do amigo de algum playboy que tem tudo, mas nao entende de nada.

Depois vieram os Cds, nossa, que revolução! Tudo em alta qualidade naquele disquinho bem menor, só que ainda um pouco caro, mas tudo bem, já era um grande passo e muita coisa ainda estava por vir.

Com a popularização dos computadores pessoais ficou fácil gravar um cd, foi aí que entrou a maior das mudanças, o download!. Que ironicamente iria ser o carrasco dos cds poucos anos mais tarde.

Quantas mudanças não é mesmo? Quem poderia prever tudo isso? Quem?

Os Djs, claro!!!! Djs sempre estiveram à frente de seu tempo, acompanharam toda essa evolução das mídias adaptando-se sem maiores problemas, enquanto alguns apenas ouviam seus discos de vinil, os djs esticavam o pitch domando as músicas sobre suas MKs, veio o cd e com ele o CDJ, apesar do vinyl ainda ser apreciado por muitos até hoje, o cdj veio com força total e uma gama de recursos a mais, cheios de botões e luzes piscantes, deixando a performance do DJ ainda mais interessante, o que lhe valeu um palco logo ali, na cara da pista!!

Sim porque antigamente cabine de dj era ali escondidinha se você não sabia. Assim o dj virou a figura principal da festa, muitas vezes mais ainda do que a musica.

O contato visual com a figura ali que mandava e dominava os beats conforme sua vontade elevava a experiência do publico a outro nível.

Mas a revolução não parou por aí, em época de ipods e laptops, sugiram os Live Acts, onde o artista passou a tocar suas próprias produções com inserts ao vivo, beat repeaters, filtros, efeitos, e tudo que um programa de alta complexidade como um ableton Live por exemplo permite.

Mas onde vamos chegar com tudo isso? A tecnologia com certeza nos reserva muito mais surpresas nos próximos anos, mas o que não podemos esquecer é que quem faz a musica realmente, é nosso cerebro, nossa alma, por mais elaborada que sejam as ferramentas, elas não passam de coadjuvantes e sozinhas não produzem nada.

Hoje em dia já é comum vermos Djs apresentar seu djset em um laptop, muitas vezes erroneamente chamados de Live (não todos, claro!) O importante é que independente da ferramenta que ele use, desde um vinyl ate um laptop, ele use a tecnologia para aprimorar seu trabalho adicionando os recursos disponíveis ao material humano. Djs que ” apertam o play e deixam rolar” alem de enganar o publico não tocam com a alma, não sentem a pista e estão perdendo a maravilhosa experiência de coordenar a conexão coletiva pela música, e daqui para frente com cada vez mais novas tecnologias vindo por aí, o fiel da balança será o público, que aqui no Brasil esta cada vez mais informado e tem o importante papel de separar o joio do trigo, valorizar o trabalho de quem merece, porque pra mim, DJ tem que suar no palco tanto quanto o público na pista!!!!!!

Valeu galera! Na proxima materia vamos falar um pouco sobre as superficies de controle MIDI mais usadas na atualidade.

Um abraço!!

Rodrigo Sarka é Dj e produtor musical, filiado a ABPA (Associação Brasileira dos Profissionais de Áudio)


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